Geral

Os vendilhões dos templos eletrônicos em tempos de espertalhões da fé

A estrela do Show da Fé, R. R. Soares | Marcos AC/R.R. Soares/Flickr

Luiz Cláudio Cunha *
Especial para o Sul21

Incapaz de vender a alma ao diabo, a Rede Bandeirantes acaba de revender seu santo horário da noite para o pastor R.R. Soares, o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. O seu ‘Show da Fé’ de 20 minutos, que começava religiosamente às 21h, agora vai durar uma hora inteira, a partir das 20h30. Não se sabe ainda quanto custou esse novo e triplicado milagre, mas pelo contrato antigo o bom pastor já pagava R$ 5 milhões mensais à Band. O vil metal falou mais alto para a TV de Johnny Saad, que anunciava a devolução do horário nobre da noite a seriados consagrados, como o 24 Horas, para concorrer com as novelas da Globo e as séries do SBT, todas com melhor audiência.

De 20 minutos para uma hora diária na Band | Marcos AC/R.R. Soares/Flickr

A novidade escangalhou os planos do argentino Diego Guebel, que assumiu a direção artística da Band em outubro passado com a promessa de recuperar o espaço nobre e caro da noite para atrações mais mundanas do que a prosopopeia de Soares. A bíblica derrota de Guebel na Band é apenas outro indício da onda avassaladora do dinheiro que afoga a TV brasileira deste Brasil cínico que finge ser laico e imune à força econômica da religião e seus falsos profetas. Os canais de rádio e TV são concessões públicas, supostamente alheias aos credos e seitas religiosas que transformaram estúdios, igrejas, templos e estádios em púlpitos eletrônicos cada vez mais invasivos e escancarados.

Não existe ninguém no Governo ou no Congresso brasileiros com coragem para frear essa flagrante ilegalidade, sancionada por verbas, dízimos, patrocínios e uma farta hipocrisia. A irrestrita capitulação aos padres e pastores que lideram milhões de fiéis (e eleitores) ficou escancarada na última eleição presidencial, em 2010, quando os dois principais candidatos com raízes na esquerda — Dilma Rousseff e José Serra — sucumbiram vergonhosamente à chantagem das correntes mais atrasadas das igrejas, frequentando missas e cultos com o gestual mal ensaiado de pios devotos que não sabiam nem metade da missa, nem qualquer salmo dos evangelhos. Encenaram um constrangedor teatro de conversão medida para não ofender o eleitor mais ortodoxo. Para não perder votos, Dilma e Serra caíram na armadilha do falso debate religioso sobre o aborto — um tema que um e outro, por mera consciência política ou formação acadêmica, sabem que nos países mais evoluídos não passa de um grave e secular problema de saúde pública.

Os evangélicos detêm 80 rádios e quase 280 emissoras de TV | Edir Macedo/Facebook

A submissão das instâncias do Estado secular ao poder cada vez maior das igrejas pode ser medida pela intrusão cada vez mais descarada da fé nos meios eletrônicos do Brasil, que deturpam a concessão pública pelo proselitismo religioso vetado pela Constituição. A igreja católica brasileira agrupa hoje mais de 200 rádios e quase 50 emissoras de TV, contra 80 rádios e quase 280 emissoras de TV de oito braços do crescente ramo evangélico. É um domínio que se fortalece cada vez mais, embora adaptando seu perfil para fórmulas mais agressivas e despudoradas de avanço sobre o bolso das populações mais pobres, mais desesperadas, menos instruídas.

Comer ou dormir

Em agosto de 2011, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o Novo Mapa das Religiões, um denso estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da FGV, com base em 200 mil entrevistas formuladas pelo IBGE em 2009 a partir de sua Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). O trabalho mostrou que o Brasil deixará de ser a maior nação católica do mundo nos próximos 20 anos, mantida a queda progressiva que sofre a Igreja no país. Ela representava 83,24% da população em 1991 e caiu para 68,43% em 2009. “As mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em 10. Se esta perda de 1% de católicos por ano continuar, a Igreja católica terá em 20 anos menos da metade da população brasileira”, destacou o coordenador da pesquisa, Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.

A economia é um forte indutor desta transformação, diz Neri. Ele lembra que as chamadas ‘décadas perdidas’ de 1980 e 1990 foram demarcadas pela queda do catolicismo em contraste com a ascensão dos grupos evangélicos, especialmente seus ramos mais belicosos e vorazes — os neopentecostais. O período de 2003 a 2009, compreendido entre duas graves crises econômicas, observa uma segunda explosão evangélica, passando de 17,9% para 20,2%. A primeira explosão, ainda maior, ocorreu nas últimas seis décadas do Século 20, quando os evangélicos aumentaram seu rebanho em sete vezes: passaram de 2,6% em 1940 para 15,4% em 2000. A FGV foi buscar no alemão Max Weber (1864-1920), o pai da moderna sociologia, o fundamento teórico que explica o avanço arrebatador dos evangélicos, a partir de sua obra mais conhecida — A ética protestante e o ‘espírito’ do capitalismo, publicada em 1904-05. Ali, Weber explica o maior desenvolvimento capitalista nos países protestantes no Século 19 e a maior proporção desses fiéis entre empresários e trabalhadores mais qualificados. “A tese de Weber era que o estilo de vida católico jogava para outra vida a conquista da felicidade. A culpa católica inibiria a acumulação de capital e a lógica da dívida de trabalho, motores fundamentais do desenvolvimento capitalista”, escreve Neri.

Weber: Melhor comer que dormir em paz

Weber repetia um ditado da época: “Entre bem comer ou bem dormir, há que escolher. O protestante quer comer bem, enquanto o católico quer dormir sossegado”. O pensador alemão constrói seu texto em cima de máximas do inventor e calvinista americano Benjamin Franklin (1706-1790), um dos líderes da Independência dos Estados Unidos, que dizia que “tempo é dinheiro” e “dinheiro gera mais dinheiro”. Era uma notável conversão justamente aos argumentos opostos que levaram ao grande cisma do cristianismo, no início do Século 16, quando um atrevido padre agostiniano alemão, Martinho Lutero, pregou nos portões da igreja de Wittenberg as suas 95 teses que desafiavam a autoridade do Papa e quebravam a hegemonia de Roma sobre o mundo cristão. Na época, Lutero denunciava justamente o que seria o âmago da Reforma Protestante: o desvio do caminho de fé da igreja primitiva para o atalho da corrupção, da indulgência, da simonia e da luxúria de papas e cardeais rodeados de amantes e concubinas, antecessores lascivos dos bispos e padres que comem criancinhas.

Teologia do bolso

Lutero e sua radical volta às origens, estimulando o protesto aos desvios éticos de Roma e o retorno à palavra original dos evangelhos, geraram os dois termos que identificam os segmentos mais prósperos da dissidência cristã: os protestantes e os evangélicos, onde brilha sua facção mais agressiva e endinheirada — o pentecostalismo, que hoje abriga no mundo cerca de 600 milhões de seguidores, pulverizados em 11 mil seitas e subgrupos. Ali viceja sua parcela mais faustosa: a corrente neopentecostal, a que pertencem o abonado bispo R.R. Soares e seus parceiros mais ricos, os também bispos Edir Macedo, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, cada um chefiando sua própria seita, sempre na condição suprema de ‘apóstolos’. Todos mostram uma devoção especial pela alma e pelo bolso de seus seguidores, a quem não se acanham de pedir contribuições financeiras a que, recatadamente, chamam de ‘oferta’.

Apóstolo sertanejo Valdemiro Santiago | Eduardo Pinto/impd.org.br

Para não atormentar ainda mais a vida de sua aflita freguesia, os quatro chefes religiosos tratam de facilitar ao máximo as ofertas financeiras. Na tela da TV de seus animados cultos, sempre se oferece o número das contas bancárias, a bandeira dos cartões de crédito ou o telefone para informações extras que permitam a oferta, rápida e facilitada. Nenhum deles fica ruborizado pela insistência do pedido de ajuda, porque todos são pios devotos da ‘Teologia da Prosperidade’, uma doutrina pecuniária que faria o velho Lutero engolir cada uma das 95 teses que vomitou contra a cupidez da velha Roma.

A ideia nasceu, evidentemente, no coração do capitalismo, os Estados Unidos, no início do Século 20. O pai dessa fé sonante é o americano Essek William Kenyon (1867-1948), um evangelista de origem metodista nascido em Saratoga, Estado de Nova York. Descobriu o milagre do rádio e plantou ali a sua “Igreja no Ar”, a ancestral eletrônica dos R.R.Soares e Malafaias da vida. Espalhou então aos quatro ventos o lema que explica as benesses divinas da fartura: “O que eu confesso, eu possuo”.

Kenyon passou o bastão da prosperidade para um conterrâneo, Kenneth Erwin Hagin (1917-2003), um jovem texano com deficiência cardíaca, que caiu de cama quando adolescente. Garantiu ter ido e voltado ao inferno e ao céu não uma, nem duas, mas três (três!) vezes. Com este desempenho singular, até para campeões de esportes radicais, o jovem naturalmente converteu-se. Dizendo-se ungido para ser mestre e profeta, Hagin garantia ter tido oito (oito!) visões de Cristo na década de 1950, além de acumular alguns passeios extracorpóreos. Tudo isso acrescido pela divina revelação de que os verdadeiros fiéis deviam gozar de uma excelente saúde financeira e que o caminho da fortuna passava, inevitavelmente, pela prosperidade de seus profetas aqui na Terra. Foi sopa no mel, e a teologia da prosperidade conquistou corações e mentes — e bolsos.

Na conta do santo

O dono da Record, bispo Edir Macedo, segunda maior audiência do país / Facebook

A primeira semente deste ostensivo neopentecostalismo brotou no Brasil com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo. Três anos depois, o pastor R.R. Soares, casado com Magdalena, irmã de Macedo, saiu do ninho da Universal para fundar sua própria igreja, a Internacional da Graça de Deus, que acaba de alugar a tela do horário nobre da Band graças ao verbo divino e a verba milionária do pastor. Uma década depois, o bispo Macedo, ainda mais próspero do que o cunhado, comprou a sua própria rede de TV, a Record, hoje a segunda maior audiência do país (4,7 pontos) no horário nobre das noites de dezembro passado, embora ainda distante da Globo (13,8).

Os televangelistas brasileiros aparentemente compõem um paraíso na terra e no ar rico em mirra, incenso e ouro, muito ouro. Há tempos, quatro grupos evangélicos rondam o empresário Sílvio Santos, que topa tudo por dinheiro, na esperança de amealhar o espaço das madrugadas do SBT por módicos R$ 20 milhões mensais. Em 2009, o próprio Edir Macedo alvejou sua maior concorrente: ofertou R$ 545 milhões para alugar o espaço das madrugadas da Rede Globo para a sua Igreja. A Globo piscou, não respondeu, e o bispo voltou à carga em agosto passado, disposto a mover céus e terras. Nada feito.

A contabilidade desses pastores, pelo jeito, oscila entre o inferno e o paraíso. O bispo que oferecia milhões para comprar um naco do maior concorrente era o mesmo dono da Igreja que fazia um descarado apelo em seu blog, em abril passado, para que os fieis juntassem alguns trocados para ajudá-lo a pagar a conta salgada de seu site. Coisa miúda, apenas R$ 107.622 mensais, que o pobre bispo diz gastar com despesas mundanas como hospedagem do servidor, salário dos funcionários, água, luz e gastos administrativos da manutenção do site. “Se o Espírito Santo lhe tocar, nos ajude a carregar essa responsabilidade”, escreveu o bispo, implorando por uma doação mínima de R$ 20.

Um novo dia de um novo tempo começou para a Globo e os evangélicos | Foto: Divulgação

O espírito santo, aparentemente, tocou a Rede Globo. A emissora dos Marinho odeia o bispo Macedo, mas adora os evangélicos. Na véspera do Natal de 2011, 18 de dezembro, a maior rede desta vasta nação católica rasgou o hábito e transmitiu o seu primeiro evento evangélico, gravado uma semana antes no Aterro do Flamengo, no Rio. O público presente, apenas 20 mil pessoas, foi uma heresia para as ambições bíblicas da Globo, mas a fiel audiência na telinha na tarde do domingo seguinte foi uma bênção divina. Ao longo dos 75 minutos do programa, condensado de quase oito horas de gravação ao vivo (entre 14h e 21h30), apresentaram-se nove artistas no ‘Festival Promessas 2011′, sob o comando do astro global Serginho Groisman. Um dos mais festejados foi o cantor Regis Danese, 39 anos, que vendeu um milhão de cópias com um único disco gospel, “Compromisso”, o único a conquistar o primeiro lugar em rádios e TVs seculares do país e que lhe garantiu a indicação para o prêmio Grammy Latino em 2009.

A conversão da Globo

Antes desse sucesso, Danese já era consagrado como artista do “Só Pra Contrariar”, um grupo de pagode que ainda ostenta o 27º lugar do ranking brasileiro, com 8 milhões de discos vendidos. Apesar disso, com problemas no casamento, converteu-se ao protestantismo no início do século. Salvou o matrimônio com Kelly, sua parceira musical, e engordou ainda mais o bolso. O álbum “Compromisso”, que conquistou o ‘Disco de Diamante’ pela venda de 500 mil cópias em apenas quatro meses de 2008, traz o seu maior sucesso, Faz um Milagre em Mim. O jornalista Tom Phillips, do diário britânico The Guardian, anotou que, logo após sua triunfal apresentação no festival da Globo, Danese foi indagado na entrevista coletiva sobre os fundamentos deste milagre musical: “O senhor escutou a voz de Deus? O que ele disse?”, perguntavam-lhe. O ex-pagodeiro explicava e, embevecido, o isento repórter da revista Nova Jerusalém ressoava a cada resposta: “Amém. Louvado seja o Senhor!”

O CD "Compromisso". Sucesso absoluto. | Foto: Divulgação

A genuflexão da Globo não representa uma súbita conversão da emissora ao credo evangélico da música: “A Globo não é um canal católico, e sim secular e republicano. Apenas documentamos um festival gospel por sua crescente importância na vida cultural do Brasil”, esquivou-se Luiz Gleizer, diretor da TV, ao jornalista britânico que ecoou o festival sob uma manchete embalada pela típica ironia inglesa: “O Gospel começa a dar o tom no Brasil, a casa da bossa nova”.

Os profetas da Globo não sabem entoar um único salmo, mas como os apóstolos eletrônicos da concorrência também têm um ouvido afinado pelo doce tilintar das moedas do templo. Isso não é contado nem no confessionário, mas os querubins globais sussurram nos corredores da ‘Vênus Platinada’ que os direitos de comercialização e os espaços publicitários do festival renderam à Globo algo entre R$ 35 milhões a R$ 55 milhões, o suficiente para remir muitos pecados, dúvidas e dívidas, aqui na terra e lá no céu. O grupo é dono da gravadora Som Livre e de um catálogo religioso onde brilham ídolos como o padre católico Fábio de Melo, que já vendeu quase 2 milhões de CDs pelo selo global.

O olho cúpido e republicano da Globo está mirando um mercado de música gospel que o The Guardian estima em R$ 1,5 bilhão, um paraíso econômico onde se irmanam crentes, artistas, emissoras laicas, pastores, espertalhões, vigaristas e políticos de todas as crenças, devotos todos do santo dinheiro que cai do céu diretamente em seus bolsos. O fluminense Arolde de Oliveira, deputado federal pelo PSD — aquele diabólico partido nascido da costela do prefeito Gilberto Kassab e que garante não pertencer nem ao paraíso, nem ao inferno, nem ao purgatório —, é dono da rádio 93 FM e do Grupo MK Music, que ele jura ser o maior selo de música gospel do continente. “Mais de 60 milhões de brasileiros estão direta ou indiretamente ligados à Igreja Evangélica”, lembra o deputado Oliveira. A Globo, como se vê, tem a inspiração divina e o ouvido apurado.

Pastor Silas Malafaia: "A Globo abre espaço para o louvor e adoração a Deus" | vitoriaemcristo.org

O festival Promessas abriu as portas de uma terra prometida para os profetas globais. No domingo gospel, a audiência da Globo subiu aos céus, dando-lhe a indulgência de miraculosos 13 pontos no Ibope (cada ponto representa 58 mil aparelhos ligados), bem mais do que os 7 humildes pontos habituais do horário. O pastor Silas Malafaia, inimigo da Universal do bispo Macedo, aproveitou e tripudiou no seu site: “A Record não acreditou nos evangélicos, a Globo acreditou e arrebentou na audiência! Enquanto a Record fala mal dos cantores e da igreja, a Globo abre espaço para o louvor e adoração a Deus”. E arrematou com um desajeitado elogio que deve ter sobressaltado as almas globais: “Quando os que deveriam abrir as portas fecham, Deus usa os ímpios para glorificá-lo”. Iluminada pela santa promessa do Ibope, a ímpia Rede Globo prepara mais três edições do sucesso gospel para 2012 — duas versões regionais e uma nacional, evitando cuidadosamente o Rio de Janeiro, que já padece a praga de um congestionamento evangélico todo santo ano.

O golpe do martelinho

O lider da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago | Eduardo Pinto/impd.org.br

Valdemiro Santiago é outro desgarrado da Universal. Depois de ser considerado um virtual sucessor de Edir Macedo, brigou com ele e saiu para fundar em 1998 a sua seita, a Igreja Mundial do Poder de Deus. Começou com 16 membros e hoje o apóstolo Valdemiro chefia mais de dois mil templos, alguns na África e em Portugal, e um jornal mensal, Fé Mundial, com tiragem de 500 mil exemplares — além de um maçante trololó diário de 22 horas na Rede 21, uma subsidiária da Rede Bandeirantes, que administra as duas horas restantes.

Sua marca registrada é um chapéu de boiadeiro, o que reforça sua imagem de astro sertanejo, que costuma ganhar espaço até no Jornal Nacional da Globo, uma devota do divisionismo que Valdemiro poderia provocar nas legiões de seu arqui-inimigo Edir Macedo. Quando enfrenta problemas de caixa, Valdemiro confia no santo gogó. Em 2010, chorou diante das câmeras de TV ao convocar 150 mil fiéis para ofertarem R$ 153, o número de peixes de um alegado milagre de Cristo. Faturou cerca de R$ 23 milhões.

Empolgado, o bispo sertanejo imaginou outra forma esperta de arrecadar dinheiro fácil, mas desta vez sem choro. Criou a campanha do “Martelinho da Justiça”, um pequeno, baratinho malho de madeira capaz de quebrar mandingas, maus-olhados e “as pedras que atravessam os seus caminhos”. A clava fajuta de Valdemiro, que despertaria a inveja do grande Thor, devia ser canonizada como a mais cara do mundo: cada oferta pelo martelinho tinha o mínimo de R$ 1 mil e Valdemiro esperava que 10 mil de seus seguidores o abençoassem com a compra do mimo, o que rechearia seu chapelão com R$ 10 milhões.

No reclame da Igreja Mundial na TV, o pastor de português trôpego, voz rouca, terno e gravata mostrava a certeza das favas divinas e muito bem calculadas: “Ainda hoje ou amanhã, na primeira hora, você vai até a agência bancária e faz esta ‘ofertinha’ de R$ 1 mil. Depois, mandaremos o martelinho pelo correio”. Para esse milagre acontecer, bastava ao crente fazer o depósito nas contas indicadas na tela e disponíveis no Banco do Brasil, Bradesco ou Caixa Econômica Federal. “De preferência no BB, como o nosso apóstolo tem nos orientado”, aconselhava o pastor, com ar compungido.

A atrevida igreja de Valdemiro já vendeu garrafinhas Pet de 400 ml com ‘água ungida’, entregues por ‘ofertas’ de R$ 100, R$ 200 ou até R$ 1.000, prometendo resultados espantosos: “Uma única gota dessa água será o suficiente para mudar a história de sua vida, para lhe abençoar de uma forma poderosa”, jurava o santo homem, escoltado por outros oito pastores calados e sisudos, todos de gravata e terno escuro. Se usassem óculos pretos iria parecer uma paródia do CQC, sem a divina graça do programa humorístico da Band que sucede o show religioso do pastor R.R. Soares nas noites da segunda-feira.

O trovão homofóbico

O bizarro merchandising da Mundial tem produzido bons resultados, pelo menos para as finanças da igreja de Valdemiro. No primeiro dia de 2012 ele inaugurou em Guarulhos, SP, a ‘Cidade Mundial’, um megatemplo de 240 mil metros quadrados e capacidade para acolher 150 mil fieis da Igreja Mundial do Poder de Deus — mais de duas vezes a lotação prevista do Itaquerão (68 mil lugares), o estádio que o Corinthians está construindo para a Copa do Mundo de 2014. Para erigir o templo, Valdemiro viu a igreja aumentar seus gastos mensais em R$ 30 milhões, prova de que o martelinho e a garrafinha são realmente miraculosos.

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Malafaia: Na santa cruzada contra a proposta de lei que combate a homofobia | Foto: Valter Campanato/ABr

O pastor Silas Malafaia, chefe supremo da AVEC, sigla da associação que mantém a Igreja Vitória em Cristo, é a voz mais trovejante desse abusado mercado da fé ancorado nos fundamentos pétreos da Teologia da Prosperidade. Embora tenha os mesmos instrumentos de redenção econômica de Edir Macedo, Malafaia é um inimigo mortal do dono da Universal. Divergiram até na eleição presidencial de 2010: ele primeiro apoiou Marina Silva, depois fulminou sua opção pelo plebiscito no debate sobre o aborto (“cristão não tergiversa nesse tema”), e acabou fazendo campanha por Serra, adversário de Dilma, apoiada justamente pelo rival bispo Macedo. Malafaia é figura fácil no Congresso Nacional, em Brasília, onde veste a armadura de sua santa cruzada contra a proposta de lei que combate a homofobia: “O projeto [que garante a livre orientação sexual] é a primeira porta para a pedofilia”, reza, com a fúria dos justos. Numa entrevista a uma revista religiosa, crucificou como “idiotas” todos os pastores que, ao contrário dele, não apostam suas fichas, martelinhos e garrafinhas na Teologia da Prosperidade.

Ele não poupa a garganta e fala muito: quase todo santo dia, Malafaia se esparrama por cinco horas de programas variados em redes nacionais como CNT, Rede TV, Boas Novas e Bandeirantes e ocupa os sábados de emissoras regionais em outros 15 Estados. Seu programa se espalha pelos Estados Unidos e Canadá e, desde meados de 2010, Malafaia atinge 142 milhões de lares em 127 países da África, Ásia, Oriente e Médio e Europa, com o apoio da americana Inspiration Network, que faz a dublagem para o inglês.

Para tornar mais veraz sua pregação, às vezes importa dos Estados Unidos especialistas nesta riqueza material. No ano passado, junto com o pastor americano Mike Murdock, Malafaia lançou o projeto do “Clube de 1 Milhão de Almas”. Alma, sabem os televangelistas, custa caro. Ele pretendia arrebanhar um milhão de crentes para sua grei e seus programas de TV, mediante a ‘oferta’ (voluntária, claro) de R$ 1 mil — ou seja, um martelinho de madeira, pelo generoso chapéu do bispo Valdemiro. Na conta do lápis, uma bolada plena de R$ 1 bilhão, capaz de pagar mais do que cinco Mega-Senas da Virada, que bateu em R$ 177 milhões no réveillon de 2011. Os ofertantes ganhariam o livro 1001 Chaves da Sabedoria, do pastor Murdock, e um certificado do clube milionário, em todos os sentidos.

Para inspirar o seu rebanho, Malafaia teve a feliz ideia de colocar um contador de acessos na página da igreja para que todos acompanhassem a adesão em catadupa do milhão de almas. Algo deu errado, ou o martelinho não funcionou. Lançado em abril do ano passado, o contador da igreja Vitória em Cristo virou uma estátua de sal, como a mulher de Lot em Gênesis (19,26) e estagnou num número pífio: miseráveis 58.875 almas era a contagem de quinta-feira passada, 5 de janeiro. Um inferno de faturamento que não chegou a R$ 60 milhões, muito distante do paraíso do R$ 1 bilhão arquitetado pelo diabólico Malafaia. Faltam portanto ainda 941.125 almas para Malafaia inaugurar, sob as trombetas de Jericó, o seu clube milionário. Haja martelinho!

O supermercado da fé

O bravo Malafaia não desiste facilmente. Em 2009 ele lançou a campanha de uma Bíblia por módicos R$ 900, pouco menos que um martelinho. Era a tarifa da Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira, sacada genial de outro gênio da prosperidade, o pastor americano Morris Cerullo. Desta vez, a garrafinha deve ter funcionado, pois antes do final do ano ele viajou à Flórida, nos Estados Unidos, e lá viu se materializar, em nome da Vitória em Cristo, um jato executivo Cessna quase novo, modelo Citation Excel, pela bagatela de 12 milhões — de dólares !

Pastor Silas Malafaia: adepto dos "Programas de Fidelidade" | vitoriaemcristo.org

Se alguém tiver alguma restrição a Bíblia, martelinho ou garrafinha, nem assim terá qualquer constrangimento para auxiliar o empreendimento celestial de Malafaia. Na sua página na Internet (www.vitoriaemcristo.org), o bom pastor dá a boa notícia de que todos podem participar de sua jornada, tornando-se seu ‘Parceiro Ministerial’, um programa de fidelidade da Igreja que arrecada fundos para manter seus programas de TV. A porta está aberta a “qualquer pessoa que receba de Deus a visão de abençoar vidas, proclamando o Evangelho por meio das mensagens do pastor Malafaia”, explica o dono do site e da igreja. Dependendo do tamanho da carteira, seu título de parceiro também cresce: o ‘Especial’ paga R$ 15 mensais, o ‘Fiel’ doa R$ 30 e o ‘Gideão’ entra na cota de sacrifício do martelinho: R$ 1 mil mensais, com direito a um exemplar por mês da revista Fiel, livros, Bíblias e um cartão para 10% de descontos nos produtos da Editora Central Gospel comprados pelo telemarketing, “desde que não esteja em promoção”.

Virar parceiro do pastor é fácil, pagar é muito mais. A organização abençoada de Malafaia trabalha com o ganhoso instrumental financeiro de uma grande loja de departamentos, como convém a este éden da prosperidade. A igreja Vitória em Cristo opera, sem preconceitos, com cartões Visa, Master, Diners, Amex ou Hipercard e tem contas abertas, sem discriminação, com o Banco do Brasil, HSBC, Bradesco ou Itaú, além de trabalhar com boletos bancários ou cheques nominais. Malafaia aceita boletos antecipados para o ano todo, mas nenhuma contribuição abaixo de R$ 15. Acima, pode.

Abobrinhas e beterraba

Agora, esse mundo dourado de riquezas, promessas, ofertas, obras e fartura vai ganhar outro e inesperado púlpito: um espaço de brilho, luzes e discussões mundanas, terrenas, insinuantes, quase lascivas. Começa na terça-feira (10/1) a 12º edição do ‘Big Brother Brasil’, o reality show da Globo que arrebata o país por 12 semanas no seu jogo canalha de perfídias, traições, intrigas e sensualidade explícitas, onde garotas curvilíneas e garotos musculosos, todos transbordantes de hormônios e carentes de neurônios, desfilam suas abobrinhas em diálogos patetas e reflexões idiotas. O jornalista Eugênio Bucci, professor de Ética Jornalística da ECA-USP e da ESPM, de São Paulo, tatuou o BBB como “o mais deseducativo programa da TV brasileira, onde a fama justifica qualquer humilhação”.

Na TV, onde nada se cria e tudo se copia, a Record também tem sua versão BBB, “A Fazenda”, com mais roupa e a mesma dose intragável de papo imbecil. A personal trainer Joana, a vencedora da versão 4 da Fazenda, que acabou em outubro passado, arrebatou R$ 2 milhões após encontrar uma beterraba premiada, entre outros sofisticados desafios intelectuais.

Apesar dessa crônica indigência, mais de 130 mil jovens brasileiros se inscreveram para o BBB12, ao longo de sete meses, filtrados em seletivas regionais em 10 capitais. É uma febre televisiva que pode parar até a maior cidade brasileira, São Paulo, onde chega a bater em 40% do Ibope, o que significa quase dez milhões de telespectadores, metade da população da Grande SP.

"Ela não é recatada", informa o pai de Jakeline | Divulgação

A vencedora do BBB de 2011, a modelo paulista Maria Helena, 27 anos, de São Bernardo do Campo, faturou um cheque de R$ 1,5 milhão ganhando o voto por telefone de 51 milhões de pessoas. Se fosse candidata a presidente em 2010, Maria Helena, capa da edição de junho de 2011 da revista Playboy, teria derrotado José Serra por mais de sete milhões de votos e perderia para Dilma Rousseff por menos de cinco milhões.

Boninho, o diretor do BBB, apimentou a receita em 2012, para horror do pastor Malafaia, infiltrando quatro homossexuais entre os doze sarados concorrentes. “Três dos quatro gays são mulheres”, adiantou o lúbrico Boninho no seu tuíter. Ele não disse, mas o programa de 2012 terá também a atração extra de duas evangélicas, a assistente comercial mineira Kelly, 28 anos, e a zootécnica baiana Jakeline, 22. O empresário Danilo Leal, 45 anos, pai de Jakeline, acha que a filha vai resistir bem ao paredão impiedoso do BBB, apesar de evangélica: “Ela não é recatada. Espero que Jakeline aproveite bem seus 15 minutos de fama e faça o pé de meia”, reza o empresário, dando sua sanção paternal para o que der e vier.

A assistente comercial evengélica Kelly Medeiros | Divulgação

Não se sabe ainda o tamanho do fio-dental que as duas evangélicas vão exibir na casa mais vigiada do Brasil, nem o salmo que irão recitar debaixo do edredom, cercadas por tantas câmeras indiscretas. Não deixa de ser simbólico que, cinco séculos após ser cravado nos portões da igreja de Wittenberg, o credo rigorosamente puritano e austero fundado pelo cisma de Luterano infiltre duas crentes assanhadas e iconoclastas no cenário conspícuo do programa mais ímpio da maior rede brasileira de TV aberta. A explicação, certamente, não está nas páginas lambidas da Bíblia dos templos e igrejas desta terra supostamente laica, mas nas cédulas louvadas do dinheiro ungido pela graça divina e pela licença dos homens neste país tropical, que Jorge Ben resumiu como “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

A louvação ecumênica ao dinheiro pintado pela hipocrisia de todos os credos esclarece, em parte, a progressiva invasão destes templos cada vez mais eletrônicos, escancarados por vendilhões cada vez mais acessíveis a espertalhões cada vez mais abusados no assalto à boa fé de sempre dos desesperados.

O velho evangelista Kenyon, profeta dessa cínica doutrina da prosperidade, poderia traduzir este Armagedom moral com o mantra invertido da religião de resultado que inventou: o que eu possuo, não confesso.

* Luiz Cláudio Cunha é jornalista.
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Comentários (40)
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Comentário de: Rodrigo Machado | 9 de janeiro de 2012 | 13:06

Não vejo ilegalidade nestas igrejas venderem fé. É um serviço, a pessoa poderia pagar para um massagista de shiatsu, um traficante, um day spa nos jardins ou para um pastor, o efeito é o mesmo, nulo. Eles oferecem serviços. Acho que o foco deveria ser outro – acabar com a isenção fiscal de todas as atividades religiosas.
A medida que a edução e a cultura do povo melhora, eles perdem espaço ao natural

Comentário de: Rodrigo Machado | 9 de janeiro de 2012 | 13:09

Outra coisa que se pode fazer é “não votar em lista partidária com pastor”.
em uma eleição fiquei entre o pstu e o pco (o psol tinha um pastor… e a HHelena não é muito longe disto), mas mantenho a minha decisão, pois como no sistema atual a pessoa vota em um e elege o outro, e os pastores SEMPRE dependem do voto da legenda para se eleger (eles nunca tem mais votos que o coeficiente eleitoral), eu só voto em coligações sem pastor.

Comentário de: Magnus | 9 de janeiro de 2012 | 13:15

Mas bah! Muito bom!

Comentário de: Carlos | 9 de janeiro de 2012 | 13:25

A única saida: educação !!

Comentário de: Eugênio | 9 de janeiro de 2012 | 13:43

Nessa questão das igrejas a gente não sabe se pune os espertalhões ou os otários.
Se endurecer o jogo com elas, corre-se o risco de desencadear uma onda de “fé” entre os otários em solidariedade aos espertalhões, pois a natureza humana é insondável, quando se trata de estupidez.
Mas, acabar com a isenção fiscal e encarar as igrejas como um negócio qualquer, com alvarás de funcionamento, sujeitas a fiscalização como todo e qualquer comercio legalmente estabelecido, já seria uma boa medida, como propõe Rodrigo Machado. Bem como parar de votar em partidos que acolham pastores e padres. Os espertalhões distribuem-se por todo o espectro ideológico, para meter um pé em cada “base”. Tá na hora de fazer uma depuração nos partidos, principalmente nesses que se dizem de esquerda, como o PSOL e o PT.
Religiosos querem eleger-se? Então fundem o partido da “fé”, dos “criacionistas” e outros bichos que andam soltos por ai. Um mínimo de honestidade, com cada uma assumindo sua posição ideológica com clareza, faria muito bem a política e seria um grande avanço.

Comentário de: Eugênio | 9 de janeiro de 2012 | 13:48

“Não se sabe ainda o tamanho do fio-dental que as duas evangélicas vão exibir na casa mais vigiada do Brasil, nem o salmo que irão recitar debaixo do edredom…”
Quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá,

Comentário de: Elano | 9 de janeiro de 2012 | 13:52

Muito forte, ácido e preconceituoso, para não dizer imparcial e tendencioso. Diria também prolixo. Acho que o mínimo de imparcialidade buscada no jornalismo, neste texto inexistiu. Parece até que o autor transpira preconceito e recalque.
Sobre os recursos que esse pregadores televisivos arrecadam, são doações. O Dá quem quer. Ninguém é escravo de ninguém e todos tem livre arbítrio para escolher.
Em tempo: Até onde eu saíba o programa do R.R. Soares´já tinha uma hora há muito tempo.

Comentário de: Ricardo Branco | 9 de janeiro de 2012 | 14:24

O melhor artigo até hoje já lançado Sul21 (sem ofender aos demais). Sua visão da relação com os políticos, a questão da eleição passada e todo o resto. Excelente!

Comentário de: Sandro Machado | 9 de janeiro de 2012 | 14:38

Somente um reparo. Quem baixou o nível da campanha presidencial de 2010 com temas como aborto, liberdade religiosa, Dilma satânica e terrorista, foi o senhor JOSÉ SERRA, com os serviços do guru indiano HAVI, via o entupimento das caixas de mails com ofensas mil a candidata petista. Assim Luiz Claúdio, não de uma de Flávio Tavares – inclusive este apoiou o novo messias da direita – dizendo que foram ambos que usaram a fé alheia. QUEM APARECEU LENDO A BÍBLIA NO HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO E FEZ PANFLETOS COM OS DIZERES “JESUS É JUSTIÇA E VERDADE” SERRA PRESIDENTE, foi esta crápula, inexcrupuloso chamado José Serra, que, graças a sabedoria do povo Brasileiro e do livro a Privataria Tucana, esta morto e enterrado.

Comentário de: Carlos Alberto Kfouri | 9 de janeiro de 2012 | 15:27

” a natureza humana eh insondavel, quando se trata de estupidez”. Um belo comentario, pra um excelente texto.

Comentário de: Eugênio | 9 de janeiro de 2012 | 15:31

Sandro, concordo plenamente que a responsabilidade por baixar o nível da campanha é exclusivamnete do Serra. Mas vai com calma nesse negócio de “sabedoria” do povo brasileiro.
Outro dia recebi um texto do Altamiro Borges, jornalista e blogueiro ligado ai PC do B, que decretava o fim político do Serra, só por que perdeu a eleição para a Dilma. Um trololó besta e triunfalista, típico da nossa esquerda. Ora, quem faz 44% dos votos válidos numa eleição para presidente, como informou o próprio Altamiro, não pode ser considerado carta fora do baralho. Ainda mais se considerarmos que Serra não tinha nem sombra de projeto de governo para apresentar. Mas, com o apoio da “velha direita arcaica” sacudiu energicamente aquele “pó, que está em toda a parte” turvando a visão do eleitorado e com isso arrastou a campanha para o esgoto das acusações mentirosas, dos dossiês falsos, do fanatismo religioso e dos complôs de bolinha de papel. Colocou a Dilma contra a parede e sua campanha na defensiva, reduzida a desmentir o que Serra disseminava toda a vez que abria sua boca suja. E nós na frente da televisão, com o cu na mão a cada jornal nacional, pra ver qual o factóde ou a bolinha de papel que globo iria inventar. Depois, correr para o computador e de-lhe pau nas redes sociais pra desmentir tudo e tentar compensar a omissão e a covardia do Lula, que apesar de ter feito um governo irretocável em muitos aspectos, nos seu oito anos de mandato não foi capaz de tomar uma mísera medida moralizante em relação a mídia.
É por essas e por outras que considero a campanha do Serra um verdadeiro fenômeno político. Como é que uma nulidade como aquela, sem projeto, sem discurso, sem porra nenhuma, consegue fazer 44% dos votos??? Tenho uma resposta tão singela quanto óbvia para isso: o Serra tem mídia. Vou repetir: mídia.
Assim, na minha modesta opinião e pelo que me é dado observar, a direita está muito longe de ser descartada como um traste. É um traste, sim, mas que se metamorfoseia e se adapta espantosamente e ainda vai dar uma bela rodada na nossa “esquerda”. É só uma questão de tempo ou do bordão de campanha certo, tipo “vamos conservar o que está bom e mudar o que está ruim”. Aguarde e verás.
Se o povo brasileiro fosse realmente sábio, o Serra não faria nem 10% dos votos. Ou nem chegaria a ser candidato.

Comentário de: Carlos | 9 de janeiro de 2012 | 15:45

Caro Rodrigo Machado | 9 de janeiro de 2012 | 13:06 acho tua ideia bestial, pra não dizer besta, e ainda sugiro algo mais progressivo que teu progressivo retrocesso, que tal um massagista de shiatsu-pastor vendedor de pilares com azeite divino, por digamos, módicos mil reais? Não seria supimpa?
hahahahaha… acreditar que as pessoas vão tendo acesso “natural” a educação e por isso passam a melhorar intelectualmente é duma ingenuidade próxima a dessas pessoas que acreditam nessa falsas religiões neopetencostais.

Comentário de: Débora | 9 de janeiro de 2012 | 15:57

Se eu puder, comentarei mais, adiante. Mas de pronto já assino o comentário de Sandro Machado. E outra ressalva VITAL: que são CONCESSÕES PÚBLICAS, as emissoras, TODAS, de rádio e TV, “esqueceram” há mto tempo. Aliás, esqueceram nada: NUNCA FIZERAM JUS A ISSO. É só olhar os 5 artigos da Constituição (5! apenas) e ver como eles NÃO SÃO CUMPRIDOS. Só se salvam (aproveitando o trocadilho com o tema da matéria) as raras e heróicas tvs e rádios públicas.

Comentário de: Edison Consiglio | 9 de janeiro de 2012 | 16:23

Melhor artigo da história. Muito esclarecedor, faz abrir os olhos e ver o tamanho dessa influência de “Deus”.

Comentário de: Sandro Machado | 9 de janeiro de 2012 | 17:08

Eugênio: Os 44% de votos que este senhor angariou a todo custo na campanha eleitoral de 2010, não pertencem a ele, mas sim, ao anti-petismo, Lulismo, a uma classe média com saudades de um Lacerda e, principalmente, o voto religioso – católico, pentecostal ou neopentecostal que sim, em sua maioria, votaram no Serra por MEDO, repito, MEDO da Dilma. A DIREITA NO BRASIL E NO MUNDO HISTORICAMENTE SE UTILIZA DO MEDO NATURAL DO SER HUMANO PARA VENCER ELEIÇÕES OU DAR GOLPES DE ESTADO, COMO EM 1964. ERA O MEDO DA COMUNIZAÇÃO, AS MARCHAS DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE. Se não fosse esta baixaria religiosa, e as 4 capas da revista VEJA a 4 semanas da eleição detonando o PT (partido do polvo), lembra? e a Erenice Guerra, não haveria segundo turno e este ser que o senhor acha que é grande coisa na passaria dos 30% dos votos válidos. Ele fez 32% dos votos válidos no 1º turno, ou seja, os 19% da Marina Siva levaram a eleição para o 2º turno. Só houve segundo turno EM RAZÃO DA BAIXARIA RELIGIOSA E DO APOIO EXPLÍCITO E QUASE GERAL AO FINADO ZÉ. Eugênio, quando falo finado, é por questão simples: Os 15% que votaram no Zé por achar sinceramente que a Dilma iria por decreto legalizar o aborto no Brasil, não votam mais. Os 5% que achavam que a Dilma iria fechar templos evangélicos muito menos. Uma parte considerável da classe média que não gostava do Lula e votou no Zé pela questão da corrupção, está encantada com tal faxina e está simpatizando muito com Dilma. É só ver a classe média gaúcha. Não gostava do Lula, hoje se derrete pela Dilma. Assim, baseado em pesquisas, estudos acadêmicos, leitura diária da imprensa Serrista do eixo Rio-São Paulo e pela repercussão descomunal do livro a privataria tucana lhe digo sem errar: O TRAÍDOR, INEXCRUPOLOSO, SEM O MÍNIMO DE CARÁTER JOSÉ SERRA JÁ ERA. É só ver a última pesquisa Datafolha para a prefeitura de São Paulo. O cara está com quase 40 % de rejeição – antes da publicação do livro – e 18% na estimulada, isto para um cara que foi Governador de SP, Prefeito de SP e candidato presidencial a 1 ano atrás. O senhor achar Eugênio que este cidadão terá alguma chance com a Dilma em 2014, com todo respeito, é incompreensível. O Serra se fosse candidato a prefeito de SP em 2012, não será, tomaria uma surra histótica do Haddad. Tanto é assim, que o seu maior apoiador, o atual prefeito Gilberto Kassab – NOTÍCIA DE HOJE DO UOL E FOLHA DE SÃO PAULO – foi pedir para o Lula e PT indicarem um nome do PSD para ser vice do Haddad. Olha Eugênio, se nem a maior cria do Serrismo acredita nele, o que dirá nós. O Kassab fez isso porque é esperto e viu que SERRA, PSDB E OPOSIÇÃO a DILMA E LULA no Brasil está em frangalhos. A oposição ao PT sairá da base governista em 2018, diga-se Eduardo Campos do PSB e Ségio Cabral do PMDB. Qualquer nome do PSDB, esquece. O OPERÁRIO ESTADISTA taxado de iletrado e burro pela elite nacional, deu um nó em todo mundo e detruiu a oposição partidária no Brasil. Só sobrou a oposição midiática, mas essa se continuar como está, vai para o mesmo caminho.

Comentário de: Vinicius | 9 de janeiro de 2012 | 17:49

Bravo, belo texto.

Comentário de: Gianni | 9 de janeiro de 2012 | 18:22

O nome dessas seitas: lavanderias de dinheiro!

Comentário de: Cláudia Rodrigues | 9 de janeiro de 2012 | 19:23

Bravo! Grande texto LCC, lava a alma da gente.

Comentário de: emilio | 9 de janeiro de 2012 | 19:52

A existência dessa coivara é a maior prova que deus não existe.Se ele existisse ,certamente
fulminaria estes sacripantas que separam os incautos de seu rico dinheirinho.
Outra conclusão : como existe trouxa em Pindorama!

Comentário de: Ana Nadabe | 9 de janeiro de 2012 | 20:15

O que faz o verdadeiro cristão não é pertencer a esta ou aquela denominação. O que o torna cristão de verdade é seguir os mandamentos de Jesus Cristo. “Examinai as escrituras” nela está escrito:” -Alguns farão de vós negócio”. Eu conheço uma igreja que não vive da lã das ovelhas, todos vivem do seu próprio trabalho e a maioria é pobre. Não participam de política, são neutros quanto ao apoio de qualquer candidato. Não possuem canal de tv e nem participam da mídia. Quem aparece é somente o nome de Jesus. Não podemos generalizar, existem verdadeiros cristãos que não aprovam essa mistura, que fazem de Deus comércio, e da imoralidade uma bandeira de dissimulação e hipocrisia. Essa é a intenção, trabalhar para que os verdadeiros valores se misturem com o lodo e assim, fica mais fácil confundir e desviar da verdade de Cristo.

Comentário de: REIS | 9 de janeiro de 2012 | 23:23

Essas religiões dominam o Brasil principalmente a Educação e a Saúde. Na Escola pública dá-se ênfase ao ensino de religião mantendo o conceito ultapassado das coisas.
Sem o ensino da Filosofia, Sociologia e História, não mudaremos os conceitos das coisas, julgaremos as coisas de forma ultrapassada, com raciocínio meldíocre.
A inteligência e a sabedoria é fruto da capaciidade que temos em conceituar,julgar e raciocinar sobre aquilo que vemos.
Quanto menos conceituamos mais ridículo é o nosso pensamento.
Assim querem os grupos dominante,a alta burguesia e as religiiões, para não perderem a hegemonia.

Comentário de: Luiz Souza | 10 de janeiro de 2012 | 8:54

Yeshua deu o aviso há mais de dois mil anos: “pelos seus frutos os reconhecereis”!
Esse tipo de ‘vendedores da fé’ já existia naquela época, continuou durante os séculos seguintes e atualmente engloba todas as religiões ditas ‘cristãs’, inclusive a que diz ter uma procuração de próprio punho do Senhor e que é tida como a maior imobiliária do planeta!
Dai minha admiração pelo iluminado “Francisco de Assis”!

Comentário de: Luis Fernando | 10 de janeiro de 2012 | 10:09

Mais fácil algum profeta do mal entrar pelo buraco da fechadura do reino dos céus que o Serra
e seus quarenta camelos chegarem a governar o país. E vamos combinar, Jesus Cristinho anda mesmo distraído porque, depois de ter sido deserdado pelo próprio pai, anda distribuindo procurações para muito corretor faminto que anda inflacionando o metro quadrado do céu.

Comentário de: JotaEsse | 10 de janeiro de 2012 | 10:11

Lei nº 12.590, de 9.1.2012 – Altera a Lei no 8.313, de 23 de dezembro de 1991 – Lei Rouanet – para reconhecer a música gospel e os eventos a ela relacionados como manifestação cultural.

Diário Oficial de hoje, disponibilizado no site da presidência da república.

Comentário de: francisco alves barbosa | 10 de janeiro de 2012 | 10:21

Pergunto porq

Comentário de: Wagner Andarde | 10 de janeiro de 2012 | 10:44

Gostaria de um debate com esse autor ai deste post. Queria ver se ele tem coragem de postar algumas verdades pai na sua coluna

Comentário de: francisco alves barbosa | 10 de janeiro de 2012 | 10:44

Por que essas deformações morais prosperam ? O brasileiro bestializou-se ou é mesmo acéfalo de nascença ? Quem irá colocar o guizo no rabo do gato e parar com essa imoralidade praticada em nome de Deus ? Não esperemos que os políticos façam isto. Eles sabem que confrontarem os interesses das religiões (?) é por o pescoço na guilhotina. A solução passa pela reforma política de que clama a sociedade e isto só será possível através uma CONSTITUINTE convocada para tal fim.

Comentário de: João Manoel | 10 de janeiro de 2012 | 10:44

Parabéns pelo texto. O Estado laico e republicano precisa agir com urgência. A medida é simples: acabe-se com as isenções fiscais para as igrejas, todas! Será que temos 10% de congressistas com essa disposição?

Comentário de: José J D Sales | 10 de janeiro de 2012 | 12:35

http://hjawll.blogspot.com/
A Bíblia não é mas só em latim ou grego, então as pessoas tem livre-arbítrio. Agora se a maior parte são semi-analfabetos ou seja não conseguem interpretar um texto, ai fica mais fácil uma manipulação em massa. Isso é educação de terceiro mundo.

Comentário de: José J D Sales | 10 de janeiro de 2012 | 12:37

Muito bom o texto do Sul21, pode montar um livro interessante.

Comentário de: Carlos André | 10 de janeiro de 2012 | 12:38

Texto muito bom e bastante informativo! Parabéns! Se faz necessário, porém, um ajuste: a obra citada de Max Weber não está baseada de forma central no texto de Franklin, mas numa mensa pesquisa do autor. A pesquisa, como é do estilo dele, está descrita nas longas notas ao texto. As notas estão ao final do livro na edição da Companhia das Letras, que é a melhor em língua portuguesa.

Comentário de: Pablo | 10 de janeiro de 2012 | 12:42

Ignorância se combate com educação!

Comentário de: Alexandre Constantino | 10 de janeiro de 2012 | 13:51

A capacidade de inserção social destas igrejas é impressionante. Os sociólogos e antropólogos deveriam estudar exaustivamente o assunto. Só em olhar para as fotos fica-se perplexo. Mas como se trata de uma realidade e não de uma ficção, me arrisco a comentar:
A única saída é a educação. Mas que tipo de educação? Países como os Estados Unidos possuem um povo com nível educacional avançado e, no entanto, lá proliferam igrejas evangélicas. Mesmo no Brasil, percebe-se que muitos dos seguidores destas igrejas possuem qualificação profissional, são alfabetizados e compram esta infinidade de livros e publicações, “não sei se chegam a ler”, além dos “martelinhos” e demais objetos de proteção.
Um economista diria, se isto gera emprego e renda para muitos brasileiros, e contribui para o crescimento do PIB, porque não? A questão é, portanto, moral.
O que mais estarrece é a capacidade de comunicação e a mensagem destas igrejas – “seitas do consumismo?”. A ruptura, “à brasileira”, da reforma luterana, da substituição da promessa de paraíso, da resignação, do conservadorismo moral, agora reinterpretados por “fique rico e nos enriqueça”, “o paraíso é aqui e agora”, “sinta-se culpado se não tiver, pois Deus só aprova os que têm”. Tudo na forma mais explícita e escancarada possível, afinal há quanto tempo “não existe pecado do lado de baixo do equador”?…
É a fé voltada para a matéria, para a busca de conforto e do bem estar. As questões espirituais têm pouca ou nenhuma relevância, se cada fiel não crescer economicamente, e contribuir mais… São estes valores novos na cultura brasileira? Trata-se de um massacre de marketing, onde as pessoas agora são submetidas à “ditadura divina” do consumismo, ou estas ainda são livres para escolher?
Certamente existe uma indústria organizada, mas, pessoalmente, não acredito tanto na ingenuidade dos fiéis. Eles estão motivados pela mensagem material, querem enriquecer, adquirir bem estar, mais do que elevação espiritual. No atual momento de desenvolvimento e de distribuição de renda, estas igrejas estão crescendo junto com as classes “D” e “E”, onde estimulam, “sem culpa”, maior prazer, mais consumo e bem estar.
Num país ainda tão carente em necessidades básicas, a mensagem é facilmente assimilada. Eles prometem, estimulam o que todos desejam, e ainda com o “aval de Deus”. É a religiosidade aliada ao consumo, ao mercado e ao capitalismo.
O paradoxal é ver-se o trabalho de tantos religiosos católicos, que ajudaram na criação do PT, na atuação das comunidades eclesiais de base, da pastoral da terra, dos beneditinos presos e torturados durante o regime militar, e que contribuíram de forma inegável pela redemocratização do país, e levararam a mensagem de justiça social e distribuição de renda às mais distantes comunidades, resultar, agora, em redução relativa do catolicismo, ao deparar-se com milhões de pessoas que migram para as igrejas evangélicas, pela promessa do bem estar, certamente muito mais sedutora, do que a da resignação pela fé diante de um paraíso distante, inalcançável.
Erraram a teologia da libertação e a Igreja Católica, mesmo se alinhando às lutas sociais? Será que “o povo é “móbile”…” e sem memória, e essa moda veio para ficar? Ou a Igreja Católica se manterá numa linha mais conservadora, apostando no médio e longo prazo, nesta disputa de espaços?
Noutro sentido, se as igrejas pagassem impostos, os cofres públicos estariam abarrotados. No entanto, como ficaria o conceito de estado laico, tendo em vista que o estado se tornaria, visando o incremento da arrecadação, um interessado maior no crescimento e na expansão das religiões?
Caberia, neste caso, um pragmatismo de estado do tipo “se for para o bem de todos” – com maiores investimentos em infra-estrutura, energia, e mesmo em pesquisa e educação – porque não arrecadar através dos “martelinhos”? Seria ilegal ou moralmente incorreto o estado participar indiretamente do “negócio” para gerar um “bem maior”, afinal, como todo o dinheiro, o dinheiro das religiões acaba também permeando o poder.
Que novos rumos culturais está tomando o país? Estão nascendo novas identidades? Quais serão os valores após os novos “profetas”, e por quanto tempo permanecerão? Além do estilo “country”, o país está sofrendo uma nova espécie de “americanização”?
Parabéns ao Sul 21 pela reportagem.

Comentário de: Leo Nogueira | 10 de janeiro de 2012 | 14:27

Esse texto merece um prêmio pela forma e conteúdo com que aborda a questão dessa polititica e relação prostituída entre mídias e podres poderes. Parabéns ao jornalista! Reproduzido no blog.

Comentário de: caio flavio | 10 de janeiro de 2012 | 15:31

Bem que essa evangélica do BBB poderia dar umas rezadas aqui em casa. Adoraria “orar” com ela.

Comentário de: Roberto Silva | 10 de janeiro de 2012 | 17:52

Hoje em dia qualquer um pode ser jornalista e sair por aí destilando altas doses de preconceito explícito sem problema algum. Tenho certeza que o nobre jornalista não se indigna tanto com os programas da TV que fazem apologia à violência, ou mesmo ao excesso de propagandas de bebidas alcoólicas. É mais um que se considera mais inteligentes que os demais. Logo, acha que tem o direito de bradar aos quatro cantos o que é certo e o que é errado. Não passa de um ignorante que se mete a falar sobre o que não conhece. Não passa de um ególatra!

Comentário de: Fabiano | 10 de janeiro de 2012 | 18:01

Um outro comentário: essas demonstrações de preconceito contra os Evangélicos são antigas. No entanto, nenhum pseudo jornalista se mete sequer a comentar que a igreja Católica tem três canais de TV aberta só para ela. Os Evangélicos, para poderem pregar a Palavra de Deus na Tv precisam pagar verdadeiras fortunas às emissoras. Mas podem se estressar à vontade. Estamos em um país democrático e os ignorantes que menosprezam a Bíblia ou mesmo caçam os Evangélicos vão ter que ficar quietinhos, pois uma multidão caminha e não vai parar. Podem acreditar!

Comentário de: jean | 10 de janeiro de 2012 | 22:03

Parabéns que belo texto!!!!!

Comentário de: GilsonSampaio | 10 de janeiro de 2012 | 22:59

Não bastasse, Dilma adapta a Lei Ruanet para enquadrar gospel como manifestação cultural.
Em nome da governabilidade, daqui a pouco, vai valer beijo na boca, dedo no olho e otras cositas mas.
Se alguém tinha esperanças a respeito da Ley dos Medios, regulação da mídia, esqueça.
http://mariafro.com.br/wordpress/2012/01/10/dilma-altera-lei-rouanet-para-reconhecer-a-musica-gospel-e-os-eventos-a-ela-relacionados-como-manifestacao-cultural/

Comentário de: ... | 11 de janeiro de 2012 | 1:18

Eu acho ke o nosso dinheiro nós fazemos o que keremos porque é nosso….. agente que trabalhou pra ganhar….e você deveria estar perdendo seu tempo com qualquer outra coisa em vez de estar preocupado com o dinheiro nosso e pra quem nos damos….

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