Meus pais se separaram quando eu tinha dois anos de idade. Eu e minha mãe fomos morar com minha avó materna em Coronel Fabriciano/MG. Após inúmeras brigas e problemas com alcoolismo, meu pai (Ilson Ferreira), motorista de ônibus, mudou-se para Belo Horizonte e posteriormente para São Paulo. Passou a residir então em Itaquaquecetuba / SP.

Quando tinha quatro anos de idade, minha mãe entrou em um novo relacionamento. Mudamos para uma cidade vizinha denominada Acesita (Timóteo/MG). Desde então, fui obrigada a chamar meu padrasto de pai.

Aos sete anos, uma tia disse-me que este não era o meu pai. Consultei minha certidão de nascimento e o nome de meu pai não batia com o de meu padrasto. Minha mãe sempre desconversava quando eu indagava sobre quem realmente era o meu pai. Entretanto crescia a vontade de conhecê-lo e quem sabe ir morar com ele.

Sempre morri de vontade de passar o dia dos pais, natal e meus aniversários junto dele. Não sei se por saber que ele era motorista de ônibus e viajava por este Brasilsão, ficava obcecada por assuntos pertinentes a caminhões, ônibus, carretas, viagens e mecânica.

Já adolescente com meus 14 anos, mudamos para Itabira, em Minas, onde conheci uma prima paterna e xará. Ela passou o endereço de meu pai. Convidei-o a passar meu aniversário de quinze anos comigo. Escreveu uma carta dizendo que estava hospitalizado e que após alta viria me ver. Encontramos na escola em que estudava. Fomos para a casa onde vivia como minha mãe e padrasto. Não o recepcionaram-no bem.

Eles não viam esta aproximação de forma positiva - minha mãe pelas arestas do casamento, e meu padrasto por ciúmes. Contudo, meu pai permaneceu em Itabira por três meses. Morava com um parente. Após esta estada, despediu-se de mim em um domingo com a promessa de que regressaria em um ano.

Enquanto aguardava seu retorno, mais aumentava a distância e as brigas dentro de casa. Cheguei ao limite e passei a morar com minha avó materna em Coronel Fabriciano. Ainda assim, não obtive nenhum contato com o meu pai. Duas cartas enviei a ele sem que nenhuma resposta fosse a mim dirigida.

Um vazio de anos se formou. Há cinco anos iniciei uma busca de seu paradeiro. Contactei parentes dele em Governador Valadares e Belo Horizonte. Conheci meus tios, sua madrinha, primos e conversei com alguns de seus amigos por telefone. Todavia ninguém o via há anos.

No ano passado, com base no endereço ao qual encaminhei as últimas cartas ao meu pai, encontrei o telefone de sua segunda esposa. Liguei para ela e a visitei em Itaquaquecetuba/SP. Tomei ciência de inúmeras histórias dele, de seus costumes, manias, ocupações e de que há anos não passava por lá.

Belo Horizonte, junho de 2009.



• Ela está à procura do pai desde 1992.
• Nesse ano eles se encontraram em Itabira.
• Ele é conhecido como o Mineirinho, é alto, claro, tem 58 ou 59 anos, cabelos grisalhos e uma cicatriz no ombro.
• Já morou na Estrada do Mandi, em Itaquaquecetuba.
• Viveu muitos anos com uma segunda esposa e se separou dela por volta de 2000.
• Foto tirada em 1991.

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